E dói-me esse rio de já me não amares
de já me não quereres assim como eu te quero
de não sobressaltares porque sou eu que te espero
em esquinas de lágrima ou sorriso
foi-se o amor chegou o siso
e eu
que não nasci para ter juízo
E dói-me o teu ventre que não afago
como quem depois de amanhã se afoga
e hoje apenas está, dê para o que der
e doa a quem doer
Passam sanguessugas pelos trilhos da memória
umas são mortas, outras são vivas,
outras são glória
de já não existir e teimar em persistir
e eu vou ao vento, sou palmeira seca,
sou teimoso sou frágil sou de teca de cetim
sou uns dias teu, outros assim assim
E dói-me o teu ventre que não afago
como quem depois de amanhã se afoga
e hoje apenas sente, e já pouco quer
para além de seres mulher
E sei que já não sinto o que senti nem sei quem sou
mas seja eu quem for fazes-me falta, ainda és música
perdi a pauta, nada sei cantar, acho que esta conversa
é coça umbigo, vai ter que parar
Mas dói-me o teu ventre que não afago
como quem não sabe nadar
e hoje é de festa, amanhã é de mar
é de mar
Manuel Cintra
quinta-feira, 28 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Sinto-me assim...
"Para onde vai a minha vida, e quem a leva?
Por que faço eu sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?
O meu destino tem um sentido e tem um jeito,
A minha vida segue uma rota e uma escala
Mas o consciente de mim é o esboço imperfeito
Daquilo que faço e sou: não me iguala
Não me compreendo nem no que, compreeendendo, faço.
Não atinjo o fim ao que faço pensando num fim.
É diferente do que é o prazer ou a dor que abraço.
Passo, mas comigo não passa um eu que há em mim.
Quem sou, senhor, na tua treva e no teu fumo?
Além da minha alma, que outra alma há na minha?
Por que me destes o sentimento de um rumo,
Se o rumo que busco não busco, se em mim nada caminha
Senão com um uso não meu dos meus passos, senão
Com um destino escondido de mim nos meus atos?
Para que sou consciente se a consciência é uma ilusão?
Que sou entre quê e os fatos?
Fechai-me os olhos, toldai-me a vista da alma!
Ó ilusões! Se eu nada sei de mim e da vida,
Ao menos eu goze esse nada, sem fé, mas com calma,
Ao menos durma viver, como uma praia esquecida…"
Pessoa
Por que faço eu sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?
O meu destino tem um sentido e tem um jeito,
A minha vida segue uma rota e uma escala
Mas o consciente de mim é o esboço imperfeito
Daquilo que faço e sou: não me iguala
Não me compreendo nem no que, compreeendendo, faço.
Não atinjo o fim ao que faço pensando num fim.
É diferente do que é o prazer ou a dor que abraço.
Passo, mas comigo não passa um eu que há em mim.
Quem sou, senhor, na tua treva e no teu fumo?
Além da minha alma, que outra alma há na minha?
Por que me destes o sentimento de um rumo,
Se o rumo que busco não busco, se em mim nada caminha
Senão com um uso não meu dos meus passos, senão
Com um destino escondido de mim nos meus atos?
Para que sou consciente se a consciência é uma ilusão?
Que sou entre quê e os fatos?
Fechai-me os olhos, toldai-me a vista da alma!
Ó ilusões! Se eu nada sei de mim e da vida,
Ao menos eu goze esse nada, sem fé, mas com calma,
Ao menos durma viver, como uma praia esquecida…"
Pessoa
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Canção Amiga
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
drummond
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
drummond
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Secretário dos Amantes
I
Acabei de jantar um excelente jantar
116 francos
Quarto 120 francos com água encanada
Chauffage central
Vês que estou bem de finanças
Beijos e coices de amor
...
V
Que alegria teu rádio
Fiquei tão contente
Que fui à missa
Na igreja toda gente me olhava
Ando desperdiçando beleza
Longe de ti
...
VI
Que distância!
Não choro
Porque meus olhos ficam feios
oswald
Acabei de jantar um excelente jantar
116 francos
Quarto 120 francos com água encanada
Chauffage central
Vês que estou bem de finanças
Beijos e coices de amor
...
V
Que alegria teu rádio
Fiquei tão contente
Que fui à missa
Na igreja toda gente me olhava
Ando desperdiçando beleza
Longe de ti
...
VI
Que distância!
Não choro
Porque meus olhos ficam feios
oswald
quarta-feira, 2 de julho de 2008
The Best Thing For You
-
I only want what's the best thing for you
And the best thing for you would be me
I've been convinced
After thinking it through that the best thing for you would be me
Everyday to myself I'd say point the way
What would it be?
I ask myself what's the best thing for you
And myself and I seem to agree
That the best thing for you would be me
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Pequenas lições de desespero

Distância
Nada guardo salvo o corpo
que me guarda
Perdi as malas
metafísicas
Falta-me tempo para olhar
para trás
Deixem-me agora
seguir a sombra de algum vôo incerto
ouvir o vento à beira das falésias
nadar correr
correr
entre clones surfistas políticos
liberais e intelectuais
boçais
Fim de festa fim de ano fim do mundo
antigo
Sem memória vou
a caminho do que vem
a caminho.
Arnaldo Saraiva
Nada guardo salvo o corpo
que me guarda
Perdi as malas
metafísicas
Falta-me tempo para olhar
para trás
Deixem-me agora
seguir a sombra de algum vôo incerto
ouvir o vento à beira das falésias
nadar correr
correr
entre clones surfistas políticos
liberais e intelectuais
boçais
Fim de festa fim de ano fim do mundo
antigo
Sem memória vou
a caminho do que vem
a caminho.
Arnaldo Saraiva
sexta-feira, 20 de junho de 2008
El jardín
Tener un jardín, es dejarse tener por él y su
eterno movimiento de partida. Flores, semillas y
plantas mueren para siempre o se renuevan. Hay
poda y hay momentos, en el ocaso dulce de una
tarde de verano, para verlo excediéndose de sí,
mientras la sombra de su caída anuncia
en el macizo fulgor de marzo, o en el dormir
sin sueño del sujeto cuando muere, mientras
la especie que lo contiene no cesa de forjarse.
El jardín exige, a su jardinera verlo morir.
Demanda su mano que recorte y modifique
la tierra desnuda, dada vuelta en los canteros
bajo la noche helada. El jardín mata
y pide ser muerto para ser jardín. Pero hacer
gestos correctos en el lugar errado,
disuelve la ecuación, descubre el páramo.
Amor reclamado en diferencia como
cielo azul oscuro contra la pena. Gota
regia de la tormenta en cuyo abrazo llegas
a la orilla más lejana. I wish you
were here, amor, pero sos, jardinera y no
jardín. Desenterraste mi corazón de tu cantero.
diana bellessi
eterno movimiento de partida. Flores, semillas y
plantas mueren para siempre o se renuevan. Hay
poda y hay momentos, en el ocaso dulce de una
tarde de verano, para verlo excediéndose de sí,
mientras la sombra de su caída anuncia
en el macizo fulgor de marzo, o en el dormir
sin sueño del sujeto cuando muere, mientras
la especie que lo contiene no cesa de forjarse.
El jardín exige, a su jardinera verlo morir.
Demanda su mano que recorte y modifique
la tierra desnuda, dada vuelta en los canteros
bajo la noche helada. El jardín mata
y pide ser muerto para ser jardín. Pero hacer
gestos correctos en el lugar errado,
disuelve la ecuación, descubre el páramo.
Amor reclamado en diferencia como
cielo azul oscuro contra la pena. Gota
regia de la tormenta en cuyo abrazo llegas
a la orilla más lejana. I wish you
were here, amor, pero sos, jardinera y no
jardín. Desenterraste mi corazón de tu cantero.
diana bellessi
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Vende-se
Vende-se uma alma. Passou por somente 3 encarnações: foi um padre corrupto na idade média, uma prostituta apaixonada no século 18 e hoje é um estudante de ciências sociais. Estado de conservação moderado, sem crenças definidas e com vícios remediáveis, possui pequenos problemas de moralidade e de bom senso. É acompanhada de uma boa quantidade de humor (de gosto um pouco suspeito) e com uma pitadinha de ironia. Ao contrário do que parece, é uma alma pouco usada, que deixa as convenções cotidianas fluírem as escolhas.
Aceito diversas formas de pagamento: cartões, dinheiro e financiamento junto aos bancos (não trabalho com cheques). Aposentados e pensionistas podem optar por débito em folha.
Aceito diversas formas de pagamento: cartões, dinheiro e financiamento junto aos bancos (não trabalho com cheques). Aposentados e pensionistas podem optar por débito em folha.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Espírito amarelo
Um espírito amarelo me perturba... um espírito com olhos de verdade, de carne (ou seja lá de que os olhos sejam feitos).
Malditos olhos, deveriam me mostrar respostas e resolver problemas, mas não, só me trazem mais confusão.
Meus olhos são gentis e vêem beleza em tudo, e acabam comigo em desejo.
O espírito amarelo tem olhos que me olham, e que eu insisto em olhar também.
Não olharei mais para olhos, olharei bocas que dizem poucas verdades, o que torna fácil não dar atenção e só admirar a beleza. Mas olhos... não deveriam dizer nada, e talvez por isso não mintam, e acabem comigo. A partir de hoje só olharei bocas...
Deveria ser à moda de ayê, mas já é um começo!
-
Malditos olhos, deveriam me mostrar respostas e resolver problemas, mas não, só me trazem mais confusão.
Meus olhos são gentis e vêem beleza em tudo, e acabam comigo em desejo.
O espírito amarelo tem olhos que me olham, e que eu insisto em olhar também.
Não olharei mais para olhos, olharei bocas que dizem poucas verdades, o que torna fácil não dar atenção e só admirar a beleza. Mas olhos... não deveriam dizer nada, e talvez por isso não mintam, e acabem comigo. A partir de hoje só olharei bocas...
Deveria ser à moda de ayê, mas já é um começo!
-
terça-feira, 27 de maio de 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008
sss
Andava meio carrancudo, só pensando em coisas pouco divertidas. Resolvi mudar, lembrar de falar mais asneiras. Agora pela manhã, faço exercícios faciais para amolecer os músculos da cara.

Procure os seus caminhos,
mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
Procure os seus caminhos,
mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Nara
Quase duas da manhã, não tenho sono, coloco Nara Leão pra tocar, ela é linda, e a voz nem se fala. Só Nara cantando baixinho para colocar um marmanjo pra dormir. Sonhando com ela, claro.
Minha mãe, que nasceu perto do mar, sempre me conta que novinha ia caminhar na praia bem cedo, quando os barcos dos pescadores chegam cheios, e nesse vai e vem, ela bonitinha que devia ser, sempre ganhava uma porção de peixes como galanteio. Voltava da praia do mesmo jeito que foi, e claro, mais feliz por já ter conseguido o almoço sem esforço.
Minha mãe, que nasceu perto do mar, sempre me conta que novinha ia caminhar na praia bem cedo, quando os barcos dos pescadores chegam cheios, e nesse vai e vem, ela bonitinha que devia ser, sempre ganhava uma porção de peixes como galanteio. Voltava da praia do mesmo jeito que foi, e claro, mais feliz por já ter conseguido o almoço sem esforço.
terça-feira, 6 de maio de 2008
O Freddie Mercury Brasileiro
um pouco mais queimadinho, como convém a um bom brasileiro, e com a mesma força!!!
Se andava no jardim,
Que cheiro de jasmim!
Tão branca do luar!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Eis tenho-a junto a mim.
Vencida, é minha, enfim,
Após tanto a sonhar...
Por que entristeço assim?...
Não era ela, mas sim
(O que eu quis abraçar),
A hora do jardim...
O aroma de jasmim...
A onda do luar...
camilo pessanha
Que cheiro de jasmim!
Tão branca do luar!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Eis tenho-a junto a mim.
Vencida, é minha, enfim,
Após tanto a sonhar...
Por que entristeço assim?...
Não era ela, mas sim
(O que eu quis abraçar),
A hora do jardim...
O aroma de jasmim...
A onda do luar...
camilo pessanha
domingo, 4 de maio de 2008
Doralice
Doralice eu bem que lhe disse
Amar é tolice, é bobagem, ilusão
Eu prefiro viver tão sozinho
Ao som do lamento do meu violão
Doralice eu bem que lhe disse
Olha essa embrulhada em que vou me meter
Agora amor, Doralice meu bem
Como é que nós vamos fazer?
Um belo dia você me surgiu
Eu quis fugir mas você insistiu
Alguma coisa bem que andava me avisando
Até parece que eu estava adivinhando
Eu bem que não queria me casar contigo
Bem que não queria enfrentar esse perigo Doralice
Agora você tem que me dizer
Como é que nós vamos fazer?
(dorival caymmi e antonio almeida)
sexta-feira, 2 de maio de 2008
E a dor, como a um dono, veio lamber-me
Estávamos a conversar e eu pus-me de gatas
Na linguagem, um arco-íris todo lágrimas e perguntas
Que vinha de chinelos pelo corredor.
Fui contra, aos encontrões
Contra todas as carícias, contra todos os braços suplicantes
Contra todos os pedidos de amor
E a dor, como a um dono, veio lamber-me.
Lançam-se os músculos em brutal oficina
carlos bessa
Na linguagem, um arco-íris todo lágrimas e perguntas
Que vinha de chinelos pelo corredor.
Fui contra, aos encontrões
Contra todas as carícias, contra todos os braços suplicantes
Contra todos os pedidos de amor
E a dor, como a um dono, veio lamber-me.
Lançam-se os músculos em brutal oficina
carlos bessa
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Me gustas cuando callas
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
neruda
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
neruda
Assinar:
Postagens (Atom)
